Resenhas

A Bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

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Editora Agir – 372 Páginas

“Muitas histórias do horror e sofrimento testemunhados dentro dos campos de concentração nazistas são contadas e recontadas, já estão gravadas e arquivadas. É difícil, nesses relatos, encontrar atos de esperança e força diante de todo o mal registrado durante o Holocausto.

A Bibliotecária de Auschwitz é um livro diferente. É uma história verdadeira e cheia de detalhes a respeito de um professor judeu, Fredy Hirsh, que criou uma escola secreta dentro do bloco 31, no campo de concentração de Auschwitz, dedicando-se a lecionar para cerca de 500 crianças. Criou também uma biblioteca de poucos volumes com a ajuda de Dita Dorachova, uma menina judia de 14 anos que se arriscava para manter viva a esperança trazida pelo conhecimento e escondia os livros embaixo do vestido. É um registro de uma época sofrida da história, mas que também mostra a coragem de pessoas que não se renderam ao terror e se mantiveram firmes usando os livros como “arma”.”

Quem me conhece bem sabe que eu sou apaixonada por histórias relacionadas à Segunda Guerra Mundial e, desde a primeira vez que ouvi falar sobre este livro, já criei uma grande expectativa, e já posso dizer que a história superou tudo!

Como o nome já diz, a história se passa dentro do campo de concentração de Auschwitz, durante o período da Segunda Guerra Mundial. A protagonista da história é a corajosa Dita Dorachova, uma menina de 14 anos com um único “defeito” que poderia ser fatal para a época do nazismo: Ela era Judia.

Outro personagem importantíssimo na história é o Fred Hirsch, um professor que consegue a permissão dos nazistas para entreter as crianças com o argumento de que, desta forma, elas deixariam seus pais trabalharem e não incomodariam ninguém. E, com isso, Fred Hirsch deu início a uma biblioteca e passou a ensinar as crianças diariamente.

Dentro do campo de concentração, mais especificamente no Pavilhão 31 de Auschwitz, é aonde Dita luta para sobreviver, e também aonde ela esconde os 8 livros da biblioteca, que são seus bens mais preciosos. São os livros que lhe dão força para continuar.

“Se o homem não se emociona com a beleza, se não fecha os olhos e põe em funcionamento os mecanismos da imaginação, se não é capaz de fazer perguntas e vislumbrar os limites de sua ignorância, é homem ou mulher, mas não é pessoa. Nada o distingue de um salmão, de uma zebra ou de um boi-almiscarado.”

Um ponto a destacar no livro é a riqueza de detalhes, os sentimentos e toda a sujeira que passamos a conhecer após esta leitura. Passamos a acompanhar o dia a dia da Dita, a sofrer o desespero da contagem de todos os dias, para saberem se tiveram algum fugitivo, os odores tanto dos pavilhões aonde dormiam, quanto da carne putrefacta dos mortos. Acompanhamos também as conversas entre os nazistas, o tratamento que cada um deles dão para os prisioneiros, e também passamos a conhecer o nazista mais temido do campo: O Doutor Mengele.

“- Vocês, alemães, amam mais a ordem do que a liberdade. A Europa inteira sabe disso.”

E Dita, encolhida no esconderijo das tábuas, concorda com ela.

Quanta razão tem a madame Chauchat.”

Já observando a realidade por outro lado, temos na nossa cabeça que todos os nazistas foram cruéis e que não tinham piedade alguma. Mas durante a narrativa, descobrimos que muitos deles não estavam de acordo com tudo aquilo, porém se, em algum momento, eles se recusassem a fazer o que lhes fora mandado, seriam tratados da mesma forma que os judeus e seriam executados.

“- Senhora…

– Meu marido? – pergunta ela com a voz falhando. – Piorou?

– Morreu.

Como se pode resumir uma vida em apenas uma palavra tão curta? Como pode caber tanta desolação em tão poucas letras?”

Seria injusto da minha parte dizer que Dita era a única corajosa dentro do campo. Hirsch demonstrou imensa coragem durante toda a história, mas não posso deixar de mencionar o senhor Morgenstern, que todos diziam que era louco, mas a nossa Dita soube enxergá-lo de outra forma.

O mais interessante deste livro é que ele não se trata de uma ficção, o autor realmente esteve frente a frente com a brilhante Dita Kraus, que foi quem deu o seu depoimento, e contou como era a sua vida, dia após dia, dentro daquele inferno.

” – Foram felizes, Edita.

– Mas durou tão pouco…

– A vida, qualquer vida, dura muito pouco. Mas se conseguimos ser felizes, ao menos por um instante, terá valido a pena.”

Para este livro, em especial, eu decidi fazer uma resenha diferente. Não tive a intenção de resumir a história, pois é uma leitura difícil, intensa, dolorosa e impossível de ser resumida, mas vale cada linha, cada palavra.

A resenha já está muito mais longa do que o normal, e ainda assim acho que não consegui passar o que este livro foi para mim. Eu chorei, me desesperei, me diverti com algumas partes, mas o mais importante foi o conhecimento que essa história me passou, o quanto eu cresci após essa leitura.

Sim, esse é mais um livro que vai para a minha lista de melhores. E eu recomendo MUITO!

Por favor, leiam!

E quando lerem, me contem o que acharam.

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4 comentários em “A Bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

  1. Parabéns pela bela resenha! Ainda não terminei a leitura, mas já estou apaixonada pelo livro. Também gostei muito da frase: “É fácil ser honrado quando não se está ao lado de um pote de geléia de grosélha aberto e uma fatia de pão”.
    Abraço.

    Fabiana.

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